sábado, 20 de junho de 2026

O ponto de apoio da transformação

        A frase atribuída a Arquimedes: “Dê-me um ponto de apoio e moverei o mundo”, pode ser utilizada como uma metáfora rica e iluminadora para a Psicologia. 
        Em termos mais próximos da Abordagem Centrada na Pessoa, poderíamos compreendê-la assim: Quanto maior a congruência entre a experiência organísmica e a consciência de si, maior a possibilidade de crescimento e atualização.
Na teoria Rogeriana, a relação terapêutica constitui o ponto de apoio da transformação. Não é a técnica, nem o diagnóstico, nem a interpretação é a qualidade do encontro entre terapeuta e cliente que cria as condições necessárias para que a mudança aconteça. A alavanca, nesse caso, é a tendência atualizante força inerente ao organismo humano que, quando encontra um ambiente de aceitação, empatia e autenticidade, move-se naturalmente em direção ao crescimento.
Se Arquimedes afirmava que um ponto de apoio e uma alavanca seriam suficientes para mover o mundo, Rogers nos convida a uma releitura profunda dessa ideia: quando o cliente se sente genuinamente compreendido e incondicionalmente aceito, algo em sua experiência se reorganiza. O mundo que se move, nesse caso, não é o mundo externo é a forma como o sujeito se percebe, se relaciona consigo mesmo e constrói sua maneira de estar no mundo.
A mudança, para Rogers, não se impõe de fora. Ela emerge quando o ambiente relacional oferece o solo fértil para que o ser humano confie novamente em sua própria experiência e potencialidade.

Eudes Alencar

 

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